living in theory
Dezembro 11, 2006
Strawberry Fields Forever
Num mundo de plástico, escrevo-te com duros adjetivos e substantivos concretos. Sonho com paredes invisíveis, que me deixam olhar nos seus olhos e desanuviar a sua sombra. Um lugar em que você não pode se esconder, e onde eu não posso me proteger. Uma casa cheia. Com vívidos barulhos ressoando até o teto, livre de rachaduras.
Perco dias procurando estrelas em um negrume muito grande. Até que amanhece e percebo que me perdi por muitas horas. O mundo se apagou. E eu fiquei.
Sonho que ainda moramos na mesma rua e dividimos janelas. Mas você nunca soube ler versos e entender poemas. E eu sempre fui egoísta demais para traduzi-los. Mutilamos os nossos frágeis elos e nos calamos. Esquecemos as promessas que nunca fizemos e fugimos. Sinto pena de ti, que possui olhos e pernas fracas. Que tem o gênio forte e ensurdeceu com os próprios gritos.
As cortinas se abrem, as luzes se acendem, as palmas se aceleram. Procuro-te do palco, mas a platéia está vazia. Fim. E é como se nunca tivéssemos vivido.